O Ministério da Cultura e Governo Federal apresentam

Mulherio das Letras transforma encontros entre mulheres em caminhos para a literatura de MS

Coletivo reuniu escritoras, pesquisadoras e artistas na 10ª FLIB para falar sobre criação, pertencimento e circulação de novas vozes 

A literatura feita por mulheres em Mato Grosso do Sul ganhou espaço para se reconhecer, se ouvir e projetar novos caminhos durante a 10ª Feira Literária de Bonito. A mesa “Mulherio das Letras — Experiências em MS” reuniu Dáfini Lisboa, Marília Siñani, Amanda Dim, Marina Duarte e Estela Rondina, com mediação de Adrianna Alberti, em uma conversa sobre escrita, diversidade, circulação de obras e a força das redes construídas entre mulheres.

Presente no Estado desde 2023, o Mulherio das Letras MS integra um movimento nacional que aproxima escritoras, poetas, editoras, ilustradoras, pesquisadoras, professoras, leitoras e outras mulheres que participam da cadeia do livro. Sem uma estrutura vertical, o coletivo funciona a partir da colaboração, da divulgação dos trabalhos e da criação de oportunidades para que novas autoras consigam publicar e chegar ao público.

Durante o bate papo, Adrianna destacou a relação do grupo com a própria FLIB. Foi a partir de um convite para participar da feira, em 2023, que as integrantes passaram a organizar de forma mais intensa as atividades em Mato Grosso do Sul. Desde então, o coletivo promove encontros, clubes de leitura e ações voltadas ao fortalecimento da autoria feminina.

Um dos resultados desse movimento foi a antologia “Mulherio, Onças e Letras”, que reúne 23 autoras de diferentes cidades do Estado. A publicação nasceu com a proposta de apresentar um panorama da escrita e da produção artística feminina sul-mato-grossense, reunindo poesia, prosa, ilustrações e histórias em quadrinhos.

Ao falar sobre o cenário dos quadrinhos, Marina Duarte lembrou que a área ainda é marcada por uma presença predominantemente masculina, mas avaliou que movimentos coletivos têm contribuído para transformar esse quadro.

Segundo ela, quando mulheres se unem, conseguem fortalecer os trabalhos umas das outras, incentivar novas produções e criar um ambiente em que mais autoras se sintam reconhecidas e seguras para ocupar os espaços literários.

“Estamos no caminho e, cada vez mais, vamos encontrar mulheres ocupando esses espaços, muito também por conta desses movimentos coletivos”, afirmou.

Estela Rondina trouxe para a conversa o desejo de que a literatura alcance mulheres que ainda estão distantes dos circuitos acadêmicos e editoriais. Pesquisadora e escritora, ela refletiu sobre a importância de abrir espaço para as histórias de mulheres camponesas, negras, indígenas, trans, migrantes e integrantes de movimentos sociais.

“Eu sonho com as mulheres do povo escrevendo”, disse. Para Estela, Mato Grosso do Sul tem uma diversidade de experiências que ainda pode chegar aos livros, embora esse caminho permaneça marcado por obstáculos.

A descoberta das autoras do próprio Estado também apareceu como uma questão central. Amanda Dim recordou que, durante a infância e a adolescência, teve pouco contato com escritoras sul-mato-grossenses no ambiente escolar. Esses nomes começaram a surgir mais tarde, já na universidade, despertando o interesse pela produção feminina feita em Mato Grosso do Sul.

Para ela, tornar essas autoras conhecidas desde a escola ajuda a formar novas leitoras e escritoras. Em um Estado marcado por altos índices de violência contra a mulher, acrescentou, a presença de mulheres reunidas para falar de literatura, arte e criação também representa um gesto de resistência.

O sentimento de pertencimento atravessou ainda as falas sobre os encontros proporcionados pelo Mulherio. As participantes destacaram como o coletivo aproxima mulheres que escrevem, desenham, pesquisam, ensinam e transitam por diferentes linguagens.

Além das publicações, o Mulherio das Letras MS realiza em Campo Grande o clube de leitura O Gozo da Onça, voltado a obras que abordam a sexualidade e as vivências femininas. Embora muitas das ações ainda estejam concentradas na Capital, o movimento busca alcançar todo o Estado, reunindo autoras de diferentes municípios e trajetórias.

Na FLIB, a mesa mostrou que o fortalecimento da literatura de autoria feminina não depende apenas da publicação de novos livros. Ele também passa pela criação de espaços de escuta, pela circulação das obras, pela formação de leitoras e pela possibilidade de uma mulher encontrar, na trajetória de outra, coragem para contar a própria história.

Evento oficial

Em 2026, a FLIB homenageia a escritora Lygia Fagundes Telles e o escritor, editor e agitador cultural douradense Luciano Serafim, que faleceu em 2025 e teve participação marcante na história da feira.

A edição conta com o apoio de instituições públicas e privadas, incluindo recursos viabilizados por emendas parlamentares, além da participação da Caixa, Sesc MS, Sebrae, Sanesul, Prefeitura Municipal de Bonito, Câmara Municipal de Bonito, Ministério da Cultura e Governo do Estado de Mato Grosso do Sul.

A FLIB integra o Calendário Municipal de Eventos de Bonito e, desde a publicação da Lei Estadual nº 6.457, de 11 de agosto de 2025, também faz parte do Calendário Oficial de Eventos de Mato Grosso do Sul.

Serviço

10ª Feira Literária de Bonito (FLIB)
Data: 7 a 12 de julho de 2026
Local: Praça da Liberdade, Bonito (MS)
Programação: flibonito.com

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