O Ministério da Cultura e Governo Federal apresentam

Orquestra de Cateura faz na FLIB primeiro concerto depois de passagem pela Broadway

Grupo paraguaio levou instrumentos reciclados à última noite da feira, encerrada pelo show de Alzira E 

Uma orquestra formada por jovens paraguaios, na qual todos os instrumentos são construídos com materiais retirados do lixo, abriu a última noite da 10ª Feira Literária de Bonito. No domingo, a Orquestra de Instrumentos Reciclados de Cateura mostrou ao público da FLIB como latas, pedaços de madeira, caixas, talheres e outros objetos que seriam descartados podem ganhar novos sons.

O projeto nasceu em Cateura, comunidade de Assunção marcada pela alta vulnerabilidade social, a partir do trabalho desenvolvido pelo professor Favio Chávez. Hoje, a orquestra se apresenta em diferentes países e leva aos palcos violinos, violoncelo, flauta, harpa, saxofone e instrumentos de percussão construídos com materiais reciclados.

Durante o concerto em Bonito, o maestro Martín Goitia Mareco apresentou cada instrumento ao público e explicou como ele foi feito. Latas de tinta, caixas de maçã, garfos, colheres, canos, pedaços de madeira e lacres de latinhas ganham novas funções nas mãos dos músicos e luthiers do projeto. Em uma das flautas, por exemplo, os lacres são usados em peças que ajudam a produzir as diferentes notas.

No repertório, a orquestra apresentou músicas como “Viva La Vida”, do Coldplay, “Imagine”, de John Lennon, além de “Caballito” e “Pájaro Campana”. Entre uma canção e outra, o público conheceu a história dos instrumentos e a criatividade envolvida na construção de cada peça.

A trajetória da Orquestra de Cateura inspirou ainda um projeto musical da Broadway com Gloria Estefan. Parte dos integrantes esteve recentemente em turnê pelos Estados Unidos, e o concerto em Bonito foi o primeiro após o retorno.

Entre os integrantes está William Wilson “Wiwi” Servián López, violinista e luthier que constrói violinos, violas, violoncelos e contrabaixos com latas, tambores, canos, madeira e outras peças reaproveitadas.

Madrinha da Orquestra de Cateura, a cantora Maria Alice acompanhou a apresentação e lembrou como conheceu o projeto durante uma viagem a Assunção ao lado de Geraldo Espíndola. Na ocasião, eles visitaram a escola, fizeram uma doação e foram convidados a se tornar padrinhos da iniciativa.

“Todos os instrumentos da orquestra são feitos com materiais recicláveis, latas, caixas de maçã, coisas do tipo. Eles foram desenvolvendo cada instrumento com a ajuda de luthiers, buscando um som próximo ao dos instrumentos como a gente conhece. E o mote da orquestra é muito bonito: o que a sociedade joga no lixo, a gente devolve como música”, afirmou.

Para Maria Alice, a relação construída com o projeto representa também uma aproximação entre Mato Grosso do Sul e o Paraguai.

“Isso não é para mim. É o Estado de Mato Grosso do Sul que se aproxima e se integra. É uma música feita em Assunção, no Paraguai, que é um país irmão nosso na música e sempre foi uma grande referência para os ritmos que pautam a música de Mato Grosso do Sul”, destacou.

Ao dividir esse vínculo com o público, a cantora completou: “Eu acho que todos nós aqui somos padrinhos e madrinhas da Orquestra de Cateura”.

Alzira E encerra a programação musical

Depois da apresentação da orquestra paraguaia, Alzira E assumiu o palco para fechar a programação musical da 10ª FLIB.

Nascida em Campo Grande, Alzira Maria Miranda Espíndola é cantora, compositora e instrumentista e construiu uma trajetória marcada pela liberdade criativa. Integrante da família Espíndola, começou a compor ainda na infância e iniciou a carreira ao lado dos irmãos.

Ao longo das décadas, reuniu mais de 160 músicas gravadas e parcerias com nomes como Itamar Assumpção, Alice Ruiz, Ney Matogrosso, Arnaldo Antunes e Zélia Duncan. Em seu trabalho, as referências de Mato Grosso do Sul se encontram com uma sonoridade urbana, experimental e muito própria.

Antes do fim da noite, o organizador da FLIB, Carlos Porto, agradeceu à equipe, à curadora Maria Adélia Menegazzo e ao público que acompanhou os seis dias de programação. Ele falou tanto aos turistas que visitavam Bonito pela primeira vez quanto aos moradores que participaram da feira.

“Eu sei que aqui tem bastante gente que está visitando Bonito pela primeira vez, mas também tem os bonitenses que participaram durante seis dias desse desafio de fazer uma feira literária. Nosso muito obrigado a todos vocês que puderam vivenciar e partilhar conosco todos esses dias”, afirmou.

Ao encerrar a 10ª edição, Carlos Porto reforçou a importância da leitura e dos livros na transformação da sociedade.

“O Brasil precisa ler mais, o mundo precisa ler mais. O mundo só será diferente se o livro for o transformador das ideias que ali estão”, disse.

A despedida veio acompanhada do convite para o próximo encontro. “Voltem no ano que vem. Na primeira semana de julho nós estaremos aqui de novo com a Feira Literária de Bonito.”

Assim, entre os instrumentos de Cateura, a música de Alzira E e o agradecimento a quem viveu a feira, a 10ª FLIB encerrou seis dias de programação na Praça da Liberdade.

Evento oficial

Em 2026, a FLIB homenageia a escritora Lygia Fagundes Telles e o escritor, editor e agitador cultural douradense Luciano Serafim, que faleceu em 2025 e teve participação marcante na história da feira.

A edição conta com o apoio de instituições públicas e privadas, incluindo recursos viabilizados por emendas parlamentares, além da participação da Caixa, Sesc MS, Sebrae, Sanesul, Prefeitura Municipal de Bonito, Câmara Municipal de Bonito, Ministério da Cultura e Governo do Estado de Mato Grosso do Sul.

A FLIB integra o Calendário Municipal de Eventos de Bonito e, desde a publicação da Lei Estadual nº 6.457, de 11 de agosto de 2025, também faz parte do Calendário Oficial de Eventos de Mato Grosso do Sul.

Serviço

10ª Feira Literária de Bonito (FLIB)
Data: 7 a 12 de julho de 2026
Local: Praça da Liberdade, Bonito (MS)
Programação: flibonito.com

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