O Ministério da Cultura e Governo Federal apresentam

Entre a espera e a escrita, Ana Martins Marques percorre sua poesia na 10ª FLIB

Poeta falou sobre referências literárias, criação compartilhada e obras marcadas pelo cotidiano, pelo tempo e pela linguagem

A poesia de Ana Martins Marques ocupou o Palco Literário da 10ª Feira Literária de Bonito na noite de sábado, em uma conversa que passou pela espera, pelo amor, pelo mar, pela passagem do tempo e pelas diferentes formas de construir um livro. A mesa teve mediação da curadora da FLIB, Maria Adélia Menegazzo.

Nascida em Belo Horizonte, Ana é uma das vozes mais reconhecidas da poesia brasileira contemporânea. Desde “A vida submarina”, lançado em 2009, construiu uma obra marcada pelo olhar atento aos objetos, às casas, às relações e às palavras que organizam a experiência cotidiana.

Entre seus principais livros estão “Da arte das armadilhas”, “O livro das semelhanças”, “O livro dos jardins” e “Risque esta palavra”, obras nas quais a poeta explora os limites entre linguagem, memória, desejo e ausência. Também publicou trabalhos em parceria, como Duas janelas, com Marcos Siscar, e Como se fosse a casa, com Eduardo Jorge.

Durante a conversa, Ana contou que sempre enxergou a escrita como uma atividade solitária, ligada ao recolhimento. As experiências de criação com outros autores, porém, mudaram sua percepção sobre o que um livro pode ser. 

A ideia de tecer também apareceu quando a autora falou sobre Penélope, personagem da Odisseia que constrói e desfaz seu trabalho enquanto espera Ulisses. Para Ana, ela representa tanto a espera amorosa quanto o próprio movimento da escrita. “A espera tem a ver com o enamoramento. O apaixonado é aquele que espera”, comentou.

Outro ponto central da mesa foi “De uma a outra ilha”. O livro nasceu do contraste entre a imagem poética da ilha de Lesbos, ligada a Safo, ao erotismo e à beleza do mar, e as notícias sobre pessoas que tentavam chegar à Europa fugindo de guerras.

O texto reúne reportagens, poemas, estudos críticos e outros materiais, aproximados em uma composição que pode ser lida como um poema longo ou uma sequência de fragmentos.

Ana considera esse seu trabalho mais claramente político. Nele, o mar deixa de ser apenas paisagem e passa a carregar a violência das travessias interrompidas. “É um mar muito mais violento e muito mais político do que nos outros livros”, afirmou.

A conversa também passou pela presença de mulheres na poesia contemporânea e pela participação da autora na revista Ouriço, experiência que a aproximou da seleção de poemas, da edição e da descoberta de novas vozes.

Ao longo da conversa, Ana mostrou como sua obra se constrói justamente nesse movimento entre observar, retomar e transformar: as palavras, as referências e as imagens que atravessam o tempo e chegam ao presente com novos sentidos.

Evento oficial

Em 2026, a FLIB homenageia a escritora Lygia Fagundes Telles e o escritor, editor e agitador cultural douradense Luciano Serafim, que faleceu em 2025 e teve participação marcante na história da feira.

A edição conta com o apoio de instituições públicas e privadas, incluindo recursos viabilizados por emendas parlamentares, além da participação da Caixa, Sesc MS, Sebrae, Sanesul, Prefeitura Municipal de Bonito, Câmara Municipal de Bonito, Ministério da Cultura e Governo do Estado de Mato Grosso do Sul.

A FLIB integra o Calendário Municipal de Eventos de Bonito e, desde a publicação da Lei Estadual nº 6.457, de 11 de agosto de 2025, também faz parte do Calendário Oficial de Eventos de Mato Grosso do Sul.

Serviço

10ª Feira Literária de Bonito (FLIB)
Data: 7 a 12 de julho de 2026
Local: Praça da Liberdade, Bonito (MS)
Programação: flibonito.com

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