Mesas abordaram infância, diversidade, política, fronteiras, memória e poesia ao longo da programação
A 10ª Feira Literária de Bonito (FLIB) abriu espaço para diferentes trajetórias, gêneros e experiências de escrita por meio do Dedo de Prosa. Ao todo, seis mesas reuniram 21 autores em conversas sobre literatura para crianças e jovens, corpos dissidentes, política, fronteiras, memória e poesia.
Entre os encontros, a mesa “Literatura para a infância e a juventude” reuniu Ligia Burton, Jadi Ribeiro, Eduardo da Costa Mendes e Ricardo Guedes Kumm. Já “Cartografia de corpos dissidentes”, com Flávio Rocha, Flávio Nantes, Fábio Gondim e Antoni Magalhães, abordou diversidade, identidade e diferentes formas de representação na literatura, com interpretação em Libras.
As relações entre escrita e realidade social estiveram presentes em “Poesia e política”, com Kaio Ramos, Alessandro Sputnik e Volmir Cardoso. Em “Narrativas fronteiriças”, Wanderson Ligier de Jesus, Oslei Bega Jr., Henrique Komatsu e Jusley Sousa conversaram sobre histórias, identidades e experiências construídas em regiões de fronteira. A mesa também contou com interpretação em Libras.
A memória foi o eixo de “Memórias da casa velha”, com Isloany Machado e Jucelia Souza da Silva. Já “Poesia – A lira de todos os tempos” reuniu Andressa Arce, Renato Suttana, Gustavo L. Ribeiro e Bianca Resende em uma conversa sobre diferentes formas de fazer poesia e os contextos particulares que atravessam cada escrita.
Mediação aproxima autores, obras e público
Responsável por parte da curadoria do Dedo de Prosa, o escritor Henrique Pimenta explica que a proposta é ampliar a circulação das obras e apresentar autores ao público. “Qual é a importância do Dedo de Prosa? É dar visibilidade, divulgar e propagar tanto as obras dos autores, que são de excelente qualidade, quanto suas carreiras literárias”, afirma.
Para conduzir os encontros, Henrique se dedica à leitura das publicações mais recentes dos participantes e à preparação de perguntas que contribuam para apresentar as obras e aprofundar as conversas.
“Eu me coloco na obrigação de ler pelo menos a obra mais recente de cada um desses autores. Preciso elaborar questionamentos e ter uma bagagem consistente para fazer perguntas interessantes, sempre no sentido de promover a literatura”, explica.
A escritora Isloany Machado, participante de “Memórias da casa velha”, destacou o cuidado com a mediação e o crescimento da feira. Esta foi a terceira vez que ela integrou a programação da FLIB. “É muito legal ver o quanto esse evento vem crescendo. Ter um mediador que se preocupa em ler o livro, conversar e fazer perguntas que realmente ajudam a obra a circular é muito importante. Também é fundamental dar destaque aos autores e fazer o nosso trabalho aparecer”, avalia.
Bianca Resende, que participou de “Poesia – A lira de todos os tempos”, ressaltou a importância do convite para seu reconhecimento como autora e para a troca com outros participantes. “Foi muito importante para me colocar como autora também. A gente se vê como várias coisas, mas, às vezes, é difícil se colocar nesse lugar”, conta.
Para ela, a diversidade de experiências foi um dos pontos mais marcantes da mesa. “A poesia atravessa o caminho de todo mundo, mas são pessoas falando sobre temas diversos. É importante ter essa diversidade de experiências e de escritas, além da oportunidade de conhecer outras pessoas e acompanhar os processos de cada uma”, afirma.
Ao reunir temas, gêneros e percursos distintos, o Dedo de Prosa ampliou o espaço de conversa entre autores e leitores e reforçou a presença da produção literária contemporânea na programação da FLIB.








