O Ministério da Cultura e Governo Federal apresentam

Quadrinhos de MS ganham espaço na FLIB em conversa sobre criação, mercado e identidade

Encontro reuniu três artistas de Campo Grande com trajetórias distintas na produção de HQs

Os quadrinhos também ocuparam espaço na programação da 10ª Feira Literária de Bonito. No sábado (11), os quadrinistas Fred Hildebrand, Anderson Barbosa e Marina Duarte se reuniram para uma conversa sobre criação, carreira e os diferentes caminhos da produção de histórias em quadrinhos em Mato Grosso do Sul.

Mediado pelo jornalista cultural Daniel Rockenbach, o encontro apresentou ao público trajetórias que passam pelo mangá, pela ficção científica, pelo humor, pela cultura regional e pelo jornalismo em quadrinhos. Embora trabalhem com propostas e linguagens diferentes, os três artistas têm em comum a ligação com Campo Grande e a participação ativa na consolidação da cena de quadrinhos do Estado.

Diferentes caminhos para contar histórias

Quadrinista, ilustrador, artista visual e professor, Fred Hildebrand atua no mercado de ilustração e no ensino de mangá desde 2005. Entre seus trabalhos estão a obra autoral “Spaceshit”, indicada ao Troféu HQMIX, e a webcomic “Homem-Grilo”, escrita por Cadu Simões, que recebeu o prêmio em categorias dedicadas aos quadrinhos digitais.

Fred também participou de projetos como “Patre Primordium”, com roteiro de Ana Recalde, da adaptação em estilo steampunk de “Hansel & Gretel” e da revista “Almanaque Guará”. Durante a conversa, sua trajetória ajudou a mostrar as possibilidades de construção de uma carreira que combina produção autoral, parcerias, ensino e participação no mercado editorial.

Anderson Barbosa levou ao encontro uma produção marcada pela ilustração digital, pela cultura pop e pela criação de universos que dialogam com referências locais. Fundador do estúdio Pincel Digital, ele é autor de trabalhos como “Perfect Cheese” e integrou a coletânea sul-mato-grossense “Quebra-Torto”.

Entre seus projetos está ainda “Folclore Fighters”, série que transforma personagens do folclore brasileiro em lutadores inspirados na estética dos videogames. Mais recentemente, Anderson lançou “Samsara”, graphic novel de ficção científica que imagina uma Campo Grande futurista e cyberpunk no ano de 2088.

Marina Duarte levou ao encontro uma produção que amplia as possibilidades dos quadrinhos ao aproximar desenho, escrita, jornalismo e pesquisa documental. A quadrinista campo-grandense trabalha com reportagens em HQ, fanzines e obras autorais que usam a narrativa visual para investigar comportamentos, registrar histórias e abordar questões políticas, sociais e de direitos humanos. Atualmente, ela apresenta seu trabalho como voltado ao jornalismo em quadrinhos e às HQs.

Entre suas obras está “Vozes (In)Visíveis: relatos de resistência LBT em Campo Grande”, livro-reportagem construído a partir de histórias de mulheres lésbicas, bissexuais e transexuais da capital sul-mato-grossense. O trabalho foi finalista do 48º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, na categoria Arte.

Marina também assina os desenhos de “O Pai Tá On: Incels e Masculinidade Geek”, ao lado do roteirista Guilherme Smee, e de “Aí Vêm os Super-Humanos: Músculos & Moldes”, obra que investiga a construção da imagem musculosa dos super-heróis. Pelos dois trabalhos, venceu em 2026 o Troféu Angelo Agostini nas categorias Melhor Fanzine e Melhor Desenhista, respectivamente.

Sua trajetória inclui ainda uma menção honrosa no Prêmio Vladimir Herzog, recebida em 2021 pelas ilustrações da reportagem “LGBTfobia está atrelada ao processo de colonização”, e o Prêmio Megafone de Ativismo, conquistado em 2023 pela reportagem em quadrinhos “Um povo, três massacres”. A experiência na Revista Badaró integra esse percurso e contribuiu para consolidar Marina como um dos nomes de referência do jornalismo em quadrinhos produzido no Brasil.

Ao reunir três artistas com experiências distintas, a FLIB ampliou a discussão sobre o lugar dos quadrinhos dentro da literatura e mostrou como desenhos, roteiros e sequências de imagens podem servir tanto ao entretenimento quanto à reflexão sobre o presente.

O encontro também reforçou a diversidade da produção sul-mato-grossense, que transforma referências universais, temas sociais e elementos da cultura regional em histórias capazes de alcançar diferentes públicos.

Evento oficial

Em 2026, a FLIB homenageia a escritora Lygia Fagundes Telles e o escritor, editor e agitador cultural douradense Luciano Serafim, que faleceu em 2025 e teve participação marcante na história da feira.

A edição conta com o apoio de instituições públicas e privadas, incluindo recursos viabilizados por emendas parlamentares, além da participação da Caixa, Sesc MS, Sebrae, Sanesul, Prefeitura Municipal de Bonito, Câmara Municipal de Bonito, Ministério da Cultura e Governo do Estado de Mato Grosso do Sul.

A FLIB integra o Calendário Municipal de Eventos de Bonito e, desde a publicação da Lei Estadual nº 6.457, de 11 de agosto de 2025, também faz parte do Calendário Oficial de Eventos de Mato Grosso do Sul.

Serviço

10ª Feira Literária de Bonito (FLIB)
Data: 7 a 12 de julho de 2026
Local: Praça da Liberdade, Bonito (MS)
Programação: flibonito.com

plugins premium WordPress