Realizado pelo segundo ano consecutivo, conversa buscou discutir os caminhos da produção intelectual negra em Mato Grosso do Sul
A produção de conhecimento realizada por mulheres negras em Mato Grosso do Sul ganhou espaço na programação da 10ª Feira Literária de Bonito (FLIB), neste sábado (11). Pelo segundo ano consecutivo, o Encontro de Intelectuais Negros e Negras de Mato Grosso do Sul reuniu pesquisadoras, professoras e escritoras para compartilhar trajetórias, trabalhos e reflexões sobre os espaços ocupados por pessoas negras na academia, na literatura, no cinema, na cultura e nas artes.
Mediada pela professora Bartolina Ramalho Catanante, a Bartô, a mesa contou com a participação de Cíntia Santos Diallo, Aline Serzedelo, Gabriela Dias, Eugênia Portela e Sarah Muricy. Juntas, elas apresentaram diferentes frentes de produção intelectual desenvolvidas no estado e discutiram a importância de reconhecer quem produz conhecimento, quais temas chegam às universidades e quais experiências ainda permanecem pouco contempladas pelas pesquisas.
Para Bartolina, o encontro funciona como uma demarcação da produção realizada por homens e mulheres negros em Mato Grosso do Sul, dentro e fora do ambiente acadêmico.
“Estamos aqui como uma demarcação mesmo do que mulheres e homens negros estão produzindo no estado, tanto no âmbito acadêmico e universitário quanto na literatura e na produção fílmica”, afirmou.
Entre as participantes e a mediadora, a mesa reuniu seis mulheres negras, quatro delas pós-doutoras. Um dado que, para Bartolina, revela tanto a qualificação dessas trajetórias quanto os caminhos percorridos para chegar a espaços historicamente pouco acessíveis à população negra.
“Nós chegamos até lá, furamos o cerco. Estamos no protagonismo da academia, na produção da cultura, do conhecimento e da arte”, destacou.
A professora também defendeu que a iniciativa ultrapasse os dias da feira e dê origem a novas ações, como uma programação permanente ou uma publicação que registre essa produção. Segundo ela, a FLIB contribui ao criar o espaço, mas o encontro também deve estimular propostas capazes de fortalecer políticas de incentivo e dar visibilidade aos intelectuais negros do estado.
“Eu acho que precisamos expandir isso para o ano inteiro ou pensar em uma publicação dessa demarcação. A FLIB vem para contribuir, e cabe a nós, enquanto protagonistas, propor mais ações e políticas que incentivem o intelectual negro e destaquem quem são essas pessoas”, disse.
Participante da mesa pelo segundo ano, Sarah Muricy ressaltou que a iniciativa permite apresentar ao público o que intelectuais negros de diferentes áreas estão pesquisando, promovendo e construindo em Mato Grosso do Sul.
“A gente teve acadêmicas negras, professoras de pós-graduação e de doutorado, todas mostrando a força dessas preocupações com os espaços, mas principalmente a necessidade de uma academia mais racializada, com pesquisas voltadas para recortes que ainda são omitidos”, afirmou.
Na edição anterior, Sarah levou ao encontro uma reflexão sobre a escrita como forma de registro. Neste ano, além da continuidade da mesa, ela destacou a presença de estudantes do Ensino Fundamental de Bonito na plateia e a possibilidade de apresentar a essas crianças outras referências de formação e de produção de conhecimento.
“É um incentivo para que os estudantes voltem, continuem estudando e produzindo conhecimento”, disse.
A realização do encontro em Bonito também foi apontada como uma forma de levar essas discussões para além dos espaços acadêmicos e dos grandes centros. A inclusão da mesa na programação oficial da FLIB foi celebrada como um avanço em relação à primeira edição.
“A FLIB está trazendo pela segunda vez essa mesa, e a gente fica muito feliz pelo espaço e pela oportunidade. Agora a gente consta no programa oficial, e isso é muito bom”, completou Sarah.
Ao reunir mulheres negras que atuam na pesquisa, no ensino, na escrita e na produção cultural, o encontro tornou visíveis trajetórias construídas em Mato Grosso do Sul e apontou caminhos para que essa produção continue circulando, encontrando público e abrindo espaço para outras vozes.
Evento oficial
Em 2026, a FLIB homenageia a escritora Lygia Fagundes Telles e o escritor, editor e agitador cultural douradense Luciano Serafim, que faleceu em 2025 e teve participação marcante na história da feira.
A edição conta com o apoio de instituições públicas e privadas, incluindo recursos viabilizados por emendas parlamentares, além da participação da Caixa, Sesc MS, Sebrae, Sanesul, Prefeitura Municipal de Bonito, Câmara Municipal de Bonito, Ministério da Cultura e Governo do Estado de Mato Grosso do Sul.
A FLIB integra o Calendário Municipal de Eventos de Bonito e, desde a publicação da Lei Estadual nº 6.457, de 11 de agosto de 2025, também faz parte do Calendário Oficial de Eventos de Mato Grosso do Sul.
Serviço
10ª Feira Literária de Bonito (FLIB)
Data: 7 a 12 de julho de 2026
Local: Praça da Liberdade, Bonito (MS)
Programação: flibonito.com








